Thursday, April 23, 2009

Bolivarianas


Na foto da AP, um exemplo da (pós)modernidade e de um dos motivos para os gringos nos considerarem “atrasados”. Caso os prezados possam observar, o singelo aperto de mão traz mensagem algo complexa.

Teoria da conspiração, determinismo ou coisa que o valha, a foto não mente: Chávez olha para o vazio, meio envergonhado; Obama mira as câmeras, apontando o livro, sem hesitação – ao mesmo tempo no qual cumprimenta o mandatário venezuelano com um "vacilante" aperto de mão. Parece contraditório, mas a sofisticada propaganda subliminar supera o texto.

No caso de uma tese heterodoxa, poder-se-ia pensar que “o gigante bolivariano confronta Superman”*. Todavia, ainda no século XIX, o próprio Simón Bolívar tinha receita precisa para o evento: revolucionar é arar no mar.

Apesar de todos os esforços, falta muito para a total liberdade latina. Infelizmente, o rio de minha aldeia ainda é apenas o rio de minha aldeia. Necessitamos entender, sem nenhum complexo de vira-lata: o progresso é um processo, não um milagre.

>> Baby, it is you; The Beatles; xxx
>> The nine

* O livro era “As Veias Abertas da America Latina”, do Eduardo Galeano. Um clássico que já devia estar atrasado desde a primeira edição. Ao contrário do que pensa o senso comum, o livro é um tanto ingênuo: não podemos atribuir nosso atraso somente ao "colonizador maligno". Hoje, o mundo é muito mais complexo do que isso.

Wednesday, April 22, 2009

PY

Ali ao lado, dizem, até o padre é falso.

>> Hello Sunshine; Super Furry Animals; xxx
>> The Nine - Inside The Secret World Of The Supreme Court; Jeffrey Toobin; Anchor

Saturday, April 11, 2009

Páscoa

Apenas hoje me dei conta de que, neste final de semana, celebramos a Páscoa cristã, o Pesach judaico e o início do outono, todos de uma vez. Muito a celebrar, portanto.

Por cá, ontem, cozinhamos um esplêndido salmão com ervas da provence, azeite, alcaparras, champignon e raspas de limão. Para acompanhar, arroz branco e camarões à Juva. Os prezados não provaram, mas o resultado ficou excelente - sobretudo, pela boa companhia do dia.

Feliz Páscoa, então. Que seja doce o domingo.

>> Sex On Fire; Kings Of Leon; Only By The Night
>> Depoimento; Carlos Lacerda; Nova Fronteira

Wednesday, March 18, 2009

Tarde de ontem, na Praça

Gabineteano 1 - Estou muito triste, ele morreu.
Gabineteano 2 - Eu também. Ele era muito bom.
Gabineteano 1 - Pois é, um dos homens mais inteligentes do Brasil.
Gabineteano 2 - Concordo plenamente.
Gabineteano 1 - Se metade da Casa ouvisse o que ele falava, esse Brasil seria um lugar muito melhor.

Acabei meu lanche e voltei ao trabalho. Pensativo.

>> The Song Remais The Same; Led Zeppelin
>> Osorio; Franciso Doratioto; Cia das Letras

Wednesday, March 11, 2009

Quadrilha

"G.F., atriz brasileira, participava de um festival de teatro em Nova York. Passou mal; vomitava sem parar. Mas não sabia falar inglês. Chamou outra atriz, Rô, que ligou para 911. Explicou a situação à atendente, que, treinada, sugeriu um teste de gravidez e deu o telefone do posto de saúde próximo. O teste deu positivo.
Rô ligou para a clínica. Marcaram o aborto para o dia seguinte de manhã. As duas foram atendidas por assistentes sociais, que não pediram vistos. G.F. assinou papéis se responsabilizando. O aborto foi feito gratuitamente. À tarde, Rô foi pegar G.F. na clínica. Voltaram andando para o hotel.

M.S.
, casada com um estudante de doutorado em Berlim, engravidou. Viviam de dinheiro de bolsa financiada pelo governo brasileiro; impossível montar uma família com aquela grana. Ela procurou uma clínica do Estado. Foi obrigada a assistir a alguns vídeos sobre reprodução. Fez o aborto gratuitamente. Hoje, M.S. continua casada com o agora doutor, com quem tem três filhos."

Enquanto isso, em Tupinambá, uma menor - em risco de vida - tem sua família excomungada por ter optado pelo legítimo direito de abortar um filho não desejado. Felizmente, apesar da triste notícia, perseveraram a fibra e a garra da mãe e da menor, verdadeiras brasileiras.

É essa minha tardia homenagem às maravilhosas mulheres deste país. Parabéns.

>> There She Goes Again; REM; xxx

>> XXX

Saturday, March 07, 2009

Mas, doutor, eu sou o paggliacci

Pensei em escrever algo após ver Watchmen. Frente às resenhas no blog da Economist e no Gizmodo, desisiti. Watchemn rocks.

>> In The End; Linkin Park; Live at Metz - 2008
>> xxx

Friday, March 06, 2009

“Well, that was Brazil — they’ve just run out of money.”

No blog do Krugman, uma incômoda historinha sobre o Brazil. Tomara os predicados do Sr. Truman não enfiem nosso país em mais uma década perdida.

>> Desolation Row; My Chemical Romance; The Watchmen Soundtrack
>> xxx

Só por hoje

Senhores, os dias têm sido intensos. Daí a ausência. Peço perdão caso alguém ainda passe por aqui procurando algo a matar o tempo.

Desculpas feitas - e inspirado no blog do Ney (aqui e aqui) -, segue trecho de uma das belas poesias drummondianas, da qual não sei o nome:
"Lutar com palavras
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
.......
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue ....
Entretanto, luto."
>> Mais uma vez; Marisa Monte; Infinito ao meu redor
>> xxx

Monday, February 16, 2009

Amorim e os estiletes "suíços"

Pensei em escrever algo sobre a brasileira "atacada" na Suíça. Após ler o texto do nobre Sérgio Leo, desisiti da iniciativa. Divirta-se na transcrição abaixo:

"Já falei disso aqui, mas estou impressionado como o que pensei como uma piada virou verdade em poucos dias. Nesse caso da suíça que não se sabe se foi ou não atacada por skinheads, quem já anda levando estiletada é o pobre do Celso Amorim. Fica difícil não defender o Itamaraty nessa, os caras apanham se não fizerem e apanham se fizerem. Não há um termo como xenofobia para descrever o ódio cego à política externa brasileira; mas que é um caso de preconceito se firmando por aí, não tem dúvida.

Recapitulemos, ou melhor, recapitulo aqui o episódio que assisti, após a visita do ministro de Relações do Uruguai. Amrim foi deixar o visitante na saída do palácio do tamaraty, sob pedidos do reportariado para que voltasse à sala de briefings, para continuar a entrevista que havia dado com o uruguaio. Amorim voltou,m dirigiu-se à escada que dá acesso ao gabinete, e foi aborado por repórteres de tv e rádio. "Ministro, o senhor tem de falar, o senhor tem de dar entrevista".

Com uma careta de desagrado, Amorim foi à sala de briefings,. Nem chegou no microfone do pódio de entrevistas. Com ar de enfado, foi cercado por jornalistas de rádio e tv, e esperou que terminase um entrevero entre cinegrafistas e radialistas.. Está lá, gravado: ele começou um discurso genérico, para dizer que o governo brasileiro estava tomando providências.

Em ocasiões anteriores, de incidentes com brasileiros no exterior, o Itamaraty foi acusado de não dar a atenção devida; o Amorim já tem pele grossa, de ser alfinetado por isso. Aliás, no dia seguinte, o indefectível Reinaldo Azevedo já brandia o tacape contra o governo brasileiro:

"não basta uma simples reação de repúdio. O governo brasileiro, de fato, precisará fazer mais, deixando claro que o empenho dos suíços em encontrar os culpados passa a ser fundamental na relação entre os dois países."

Amorim chegou a irritar-se com a insistência dos repórteres. Tentou pelo menos duas vezes acabar com a entrevista, dizendo que não havia nada a dizer enquanto não terminassem as investigações.

À primeira "É xenofobia?" ele respondeu que a polícia estava investigando, que o governo pediu explicações, queria saber dos culpados. Perguntaram umas três vezes a ele se era ou não xenofobia. E indagaram se o governo iria acionar a Comsisão de Direitos Humanos _ ao que ele respondeu que era prematuro, que esperava seriedade da investigação policial.

"Não podemos fazer nenhum pré-julgamento, mas há uma aparência evidente de xenofobia, o que é uma coisa preocupante", disse ele, após a inistência dos repórteres. E quando insisitiam em saber sobre a ONU: "Não adianta aventar hipótese agora porque não sei qual a direção que as investigações vão tomar. É preciso que as autoridades suíças façam a investigação. Temos confiança de que farão, temos confiança de que manterão a transparência e temos confiança de que haverá punição adequada porque creio que a Suíça não tem interesse em manter uma imagem negativa",

Já espectador de episíodios semelhantes, saí do Itamaraty imaginando que o Amorim ia levar pedra por não ter sido enfático o suficiente na condenação dos agressores da moça.

No dia seguinte, os jornais traziam o Amorim em manchetes de página falandode "xenofobia". E, quando a história começou a se revelar mais complicada do que à primeira vista, em todo canto começou a pipocar crítica contra a "precipitação" do Itamaraty. Até atribuiram a ele a referência à Comissão de Direitos Humanos, que saiu dos repórteres e ele se recusou obstinadamente em confirmar.

Estou defendendo o Amorim? Não. Estou condenando um factóide que me atrapalha a discussão quando esse pessoal do governo vem com a tese estúpida de conspiração da midia. Episódios como esse dão argumentos para que autoridades digam que são cobrados por coisas que não disseram e atos que não praticaram. Antes que mais algum amigo meu saia por aí repetindo uma interpretação equivocada, que pelo menos saibam como foi esse negócio.

Já os comentaristas do blogue do Reinaldo não tiveram nenhuma dificuldade em esquecer o post do mestre cobrando mais do governo, e, espumando pelo canto dos lábios, está lá, rosnando contra a "precipitação" do ministro. Aquele que Reinaldo já criticava por não por em questão a relação bilateral Brasil-Suíça por causa da moça com a perna riscada em estilo neonazista."

>> Waiting in vain; Bob Marley; Best
>> FHC

Saturday, February 14, 2009

A4

O Brasil deve ser o único lugar no mundo onde papel A4 reciclado custa mais caro do que o comum.

>> Everything - Lifehouse; Smallville; Smallville
>> FHC

Wednesday, February 11, 2009

Terroir

Essa semana, a Mistral fez uma promoção de ponta de estoque na qual garrafas com rótulos defeituosos – rasgos e manchas – eram vendidas a preços muito convidativos. Aproveitei a oportunidade e comprei um exemplar do chileno Carmen Reserve Pinot Noir, safra 2006.

O mesmo vinho, na safra de 1997, havia recebido boas indicações. Portanto, a aquisição da garrafa de 2006 aparentava ser uma boa oportunidade – positivamente correspondida após o consumo.

Essa aliança “promoção+Chile+Pinot Noir” fez-me pensar sobre a equivocada tese de que não é possível produzir um bom Pinot Noir fora da Borgonha. A se acreditar nos famosos especialistas que defendem temas como esse – Robert Parker, por exemplo –, deveria existir um sabor universal/único para todos os vinhos. Nesse ponto, uma pergunta incomodava-me: qual a função de um terroir se pretendermos que todos vinhos, de uma mesma uva, em vários locais do mundo, tenham sabores iguais?

Apegado a meu total amadorismo, arrisco uma resposta: penso que a graça está em tentar obter o melhor vinho possível dentro das especificidades de cada região. Ou seja, um bom tinto deve reproduzir o clima, a terra e, acima de tudo, a cultura de um país. Nesse sentido, entendo que pode não ser muito justo, nem inteligente, comparar qualquer vinho como sendo melhor ou pior do que aqueles produzidos na Borgonha ou em Bordeuax. Haja vista, sobretudo, a excelente qualidade atingida por alguns vinhos estadunidenses. Por exemplo, uma garrafa de Pinot Noir, safra 2005, produzida pela Domaine Drouhin, no Oregon, custa a fortuna de R$ 220,00. - eu sequer sabia que vinhos são produzidos por lá. A própria garrafa do Carmen, comentada no início do post, não custa menos do que R$ 80.00 nas boas casas do ramo.

Resumindo, não se acanhe caso queira pedir vinhos chilenos ou argentinos. Há boa vinícolas produzindo nesses países.

>> Que País é Esse: Legião Urbana: Música Para Acampamentos
>> FHC

Monty Python Communist Quiz



Conforme a dica do Krugman, segue esse pequeno clipe do Monty Python. No melhor estilo inglês, o vídeo foi comparado a uma pretensa conversa entre Nouriel Roubini e Nassin Taleb na CNBC. Imperdível.

>> The Boys Are Back In Town (Live In Belfast, 2001); Belle and Sebastian; The BBC Sessions (Deluxe Edition)
>> FHC

Saturday, January 31, 2009

The Times They Are A-Changin'


Falta definir o "we" da pichação.

>> Misty; Earl Himes; Honor Thy Fatha
>> FHC

Wednesday, January 28, 2009

Blindness

Na última terça-feira, após uma breve olhada no blog do Sérgio Rodrigues, descobri que a leitura de “No Country for Old Men” poderia ser uma boa sugestão para o final de semana. Por meio de sua série “Começos Inesquecíveis”, Rodrigues trazia as palavras iniciais do livro, editado pela Alfaguara em 2006 – tradução de Adriana Lisboa.

Eis que, entusiasmado pela ótima prosa da publicação, resolvi buscar o excerto da edição original disponível no site da Amazon. Começou aí o imbróglio.

No texto do blog do Sr. Rodrigues, as frases iniciais do livro eram as seguintes: “Mandei um garoto para a câmara de gás em Huntsville. Foi só um. Eu prendi e testemunhei contra ele ...”. Não sei por qual motivo, encasquetei com a terceira frase – “Eu prendi e testemunhei contra ele”.

Na versão original, em inglês, o texto encontra-se como segue: “I sent one boy to the gaschamber at Huntsville. One and only one. My arrest and my testimony ...”. Mesmo meus parcos conhecimentos de inglês fizeram-me pensar: essa terceira frase está mal traduzida, talvez em um contexto errado. Abespinhado pela dúvida, procurei um contato com a nobre Adriana Lisboa e, graças aos tempos digitais, encontrei um e-mail.

A mensagem enviada para ela – e também postada na caixa de comentários do blog - foi a seguinte:

“Adriana,

perdoe-me pelo e-mail desajeitado, uma dúvida coça cá em minha cabeça. Explico-me: estive lendo "No Country For Old Men" e a terceira frase do livro explodiu meu cérebro.

Ao ler "My arrest and my testimony" tive a impressão de que o autor queria passar uma mensagem impessoal, talvez em terceira pessoa. Algo como: "Minhas prisão e testemunho".

Traduzida dessa forma, penso eu, a mensagem teria pretensão impessoal, ao mesmo tempo em que transmitiria uma inflexão algo "riobaldiana". Não sei... pode ser só bobagem. De qualquer forma, peço antecipadas desculpas pela eventual - e amadora - intromissão no texto brilhantemente traduzido por ti.”
Ato contínuo, um tal de SC. Stocker – que, depois descobri, parece escrever no Le Monde - postou a seguinte mensagem nos comentários do blog do Sérgio Rodrigues, com erros e tudo:
““Minhas prisão e testemunho”, apesar de gramaticalmente impecável, é tão… tão… sei lá, tão pouco de acordo com o que se lê, fala e escreve no português de hoje! Cheira a Napoleão Mendes de Almeida, a Mattoso Câmara! Muito mais coloquial dizer “Eu o prendi e testemunhei contra ele”.

Preciso defender a Adriana Lisboa, minha ex-coleguinha de Pós na Uerj: ela é uma EX-CE-LEN-TE tradutora, tanto de inglês quanto de francês. Tenho várias traduções dela aqui. Naturalmente, não posso falar muito das traduções do inglês, mas as do francês são impecáveis. Já gostava dela, muito, como escritora, e gosto demais como tradutora.

P.s.: Se um dia alguém me vir (sic) escrevendo num texto ficcional “minhas prisão e testemunho”, por favor: cortem meu pinto! Horror, horror.”

Em nenhum momento eu havia criticado o texto da Adriana Lisboa, ainda menos ao ponto de ela precisar de uma defesa. Muito ao contrário do que pensa o Sr. Stockler, para meu deleite, a nobre Adriana havia respondido minha mensagem. Em menos de cinco minutos, ela retornou meu e-mail. Por meio de um texto agradecido e delicado, disse o seguinte:
“Oi, Renato,

Estou sem o original comigo. Pode ser que você esteja certo, sim. Aliás, não gosto do título que esse livro levou em português (escolha da editora). “No country for old men” não é uma expressão literal.

Traduzir é ainda mais arriscado do que escrever: ao escrever, as besteiras são nossas. Ao traduzir, forçamos ao outro as nossas besteiras... claro que sempre tem um revisor fazendo uma besteirinha aqui e ali também, nos dois casos :)
Mas vou arranjar um exemplar do livro em inglês e ver isso assim que possível.

Abraços e obrigada,
Adriana”

No final, apesar de ser tudo uma grande bobagem - traduções, textos e todo o resto -, é preciso ter cuidado e bom-senso para criticar. Por exemplo, a proposta do tal SC. é tão desleixada que ele cometeu um erro grosseiro quando sugestionou uma revisão no meu texto. Sugeriu ele: “Eu o prendi e testemunhei contra ele”. Ora bolas, a frase é gramaticalmente esdrúxula e, honra seja feita, muito ao gosto do péssimo português falado atualmente. “Eu o prendi e testemunhei contra ele” é, no mínimo, cacofonia rasteira. O mesmo que dizer “Eu prendi ele e testemunhei contra ele”. Talvez um cursinho de língua portuguesa, utilizando as gramáticas de Napoleão Mendes de Almeida e Mattoso Câmara, pudesse ajudar. De qualquer forma, é apenas uma sugestão.

* Atualização: o prezado citado nesse post resolveu prosseguir com os comentários no blog do Sérgio Rodrigues. Nas palavras dele: "Eu poderia, neste exato instante, esfregar em suas fuças as minhas credenciais acadêmicas, mas abstenho-me...". Freak

>> Amor de Loca Juventud; Buena Vista Social Club; Buena Vista Social Club
>> No Country for Old Men; Cormac McCarthy; Vinatege International

Economic News

Do blog da Economist. O linguajar é impagável, apesar das terríveis notícias: "Yesterday, Boeing announced that it was axing 10,000 workers".
"THOSE of you wondering how Starbucks could afford to operate while placing three stores within a block of each other, wonder no longer. The coffee retailer is sacking nearly 7,000 employees and closing 300 locations (leaving it with a mere 16,000 or so remaining stores—I'm not kidding).

The cuts constitute a second blow in as many days for the city of Seattle. Yesterday, Boeing (now headquartered in Chicago, but still employing a majority of its workers in the state of Washington) announced that it was axing 10,000 workers. But it's not like things are much better anywhere else! Reduced shipments of coffee beans, and aeroplanes, and pretty much everything that people buy or sell produced a year-over-year dip in trucking in the month of December of 14.1%. Go look at Calculated Risk's chart, it's really something to see.

The Federal Reserve continues to do what it can. The central bank announced today that it would keep the federal funds target at more or less zero, and it's ready to buy longer-term Treasuries. This is fortuitous—Boeing, as it happens, manufactures helicopters. It would seem that Ben Bernanke is in the market for one."
>> Bad Moon Rising; Creedence; Chronicle
>> No Country For Oldmen; Cormac McCarthy; Vintage International

Tuesday, January 27, 2009

Ai de ti, USA

No final do ano de 2005, o então mega-milionário estadunidense, Sam Zell, publicou uma alvissareira mensagem de ano-novo. Hoje, quatro anos depois, o texto do financista reflete os problemas econômicos planetários com acurada precisão. Suas equivocadas palavras diziam o seguinte:
"The enormous monetization of hard assets has vastly increased liquidity worldwide, and liquidity equals value. It has reduced the cost of capital. This has been an engine, and world growth will continue to benefit."
Infelizmente, não foi uma teoria aceita pelo teste da realidade. Segundo breve pesquisa na internet, o jornal do Sr. Zell quebrou tão logo a bolha imobiliária estourou nos EUA. Apenas para medir o tamanho do tombo, a publicação fazia concorrência com o Chicago Tribune (uma instituição americana). À guisa de curiosidade, o investidor foi um dos homens mais citados pelo economista Gregory Mankiw como exemplo de self-made man nos anos recentes.

>> Vou Com Ela; Veiga e Salazar; OiFm
>> The Accidental President of Brazil; FHC; Publicaffairs

Sunday, January 25, 2009

Oliveira

Na Carta Maior, o sociólogo Chico Oliveira faz boa análise sobre a situação brasileira. Geralmente, não esposo muitas das teses do nobre cientista social. Essa entrevista, no entanto, merece ser lida. Segue breve trecho:
"CM – Que espaço sobra para a periferia do sistema, caso do Brasil, entre outros?
Chico – Estamos emparedados entre a concorrência chinesa e a desordem financeira no coração do capitalismo. A crise nos pega no meio do caminho e, naturalmente, não podemos regredir e adotar um padrão chinês de salários de miséria. Alguns até gostariam, mas não dá, felizmente não dá mais e tentar seria uma calamidade social de proporções incalculáveis.

CM - Qual opção à paralisia, se é que existe uma - e viável?
Chico – Não existiu Vargas em 1930? A opção é uma soma de coragem política e investimento público pesado. Criar algo como cinco EMBRAERs por ano em diferentes setores; promover uma superação do modelo ancorado-o agora em forças sociais da base da sociedade. Carlos Lessa sugeria isso no BNDES, no começo do governo Lula; não deixaram...

CM - Mas o Brasil de Vargas não existe mais...
Chico - Para Getúlio também não foi fácil, mas ele fez. E fez à revelia da plutocracia mais poderosa do país; enfiou seu projeto goela abaixo da burguesia paulista e se firmou como um estadista da nossa história. A elite paulista jamais admitirá, mas ele foi o grande estadista do desenvolvimento nacional.

[...]

CM - Internamente a elite talvez não veja as coisas assim, como propriamente complementares, quando se associa crescimento a um arranque pesado de investimento público.
Chico – Nossa burguesia se transformou em gangue. Expoentes nativos são figuras do calibre de um Daniel Dantas ou esse Eike Batista que opera dos dois lados da fronteira boliviana; não se pode contar com protagonistas dessa qualidade para qualquer coisa, menos ainda para uma agenda de desenvolvimento. Não há saída por aí. Mas o Brasil também não teria saído da crise de 30 se Vargas fosse esperar a mão estendida da plutocracia de São Paulo, por exemplo. Ele ocupou o espaço e fez.

CM - Logo...
Chico – Logo precisaria reinventar o PT; um PT com a ousadia de um Kubitschek e de um Vargas; para fazer por baixo o que eles tentaram e fizeram por cima; um arranque do desenvolvimento induzido pela base social para mudar a economia e a sociedade. Cinco EMBRAERs por ano e ponto final.

CM – O senhor acredita nesse aggiornamento do PT?
Chico - Se depender de torcida para que aconteça tem a minha. A lógica de acomodação de forças que a crise mundial impõe é de dimensões tão brutais, tão inauditas que exige da esquerda brasileira um desassombro igualmente inusitado."
>> Tendo a Lua; Paralamas do Sucesso; Os Grãos
>> The Accidental President of Brazil; FHC; Publicaffairs

So Long 021 - Razão nº 534

A prefeitura do RJ tenta renovar o contrato com a Fundação Cobra Coral: o objetivo é impedir a incidência de chuvas no Rio de Janeiro durante o verão. Pois é.

Pasmen, não é piada. E piora: em dezembro passado, o secretário Luiz Guaraná defendera o descarte da ajuda espiritual, por considerar que a cidade deveria priorizar investimentos reais na conservação.

>> The Mission: Gabriel's Oboe; Yo-Yo Ma & Morricone; Plays Ennio Morricone
>> The Accidental President of Brazil; FHC; Publicaffairs

Friday, January 23, 2009

New World



O vídeo acima foi feito entre 1939-1940, durante a Feira Mundial de Nova Iorque. Retrato amador do momento, reflete com certa precisão o modo de vida e o estupor criado por tecnologias que seriam pueris no mundo moderno. Entretanto, exatamente por se tratar de uma produção não oficial, o pequeno filme mostra uma visão pessoal e humana do evento.

As antigas "Feiras Mundiais" eram, em seu tempo, um espetáculo à parte. Mesmo as maiores feiras da atualidade não se comparam ao ineditismo e publicidade que estes encontros causavam no passado. Quase como um playground adulto, as feiras eram um grande showroom dos produtos e tecnologias expostos - sem falar na publicidade angariada pelos países expositores.

Para ficar em um exemplo histórico, vale lembrar o caso de Dom Pedro II e Alexander Graham Bell. Durante a Centennial Exposition, na Filadélfia, o Imperador encontrou um ainda obscuro professor da Escola de Surdos, então expondo uma inusitada criação: o telefone. Pedro II - que havia trocado algumas cartas com o inventor - resolveu conversar com o Sr. Bell. Obviamente, atrás do monarca, o séquito de jornalistas e puxa-sacos também parou. Até esse momento, a máquina havia recebido pobre atenção na feira.

Percebendo a oportunidade, Bell convidou o Imperador a adentrar o espartano estande e, desse modo, testar o invento. Ato contínuo, Dom Pedro segurou o fone e imediatamente o largou - não antes de ouvir Bell recitar "to be or not to be?" por meio do aparelho. A história diz que o governante afirmou, petrificado: "Meu Deus, essa coisa fala!". Graças à publicidade gratuita, o telefone tornou-se a sensação da feira.

Estranhamente, esse tipo de repercussão mundial a partir das feiras continuou durante muitos anos. Caso você tenha tempo para ver o vídeo desse post, poderá perceber um robô, meio desengonçado, ao final da película. Não se assuste, foi a partir dessa máquina criada pela Westinghouse - como atração para o evento novaiorquino - que Isaac Asimov inspirou-se para escrever um conto chamado "Robbie", em 1940. No texto do escritor, um robô falante surpreende uma garotinha que vai ao Museu de Ciência e Indústria no ano de 1998.

Ao contrário do que diz o ditado, às vezes, a arte parece imitar a vida. Felizmente.

>> Someday; The Strokes; Is This It?
>> The Accidental President of Brazil; Fernando Henrique Cardoso; PublicAffairs

Sunday, January 18, 2009

Os Outros: Armando A. dos Santos

"A idéia de que a nova ortografia constitui um passo para a constituição de um dicionário único do idioma português falado no mundo inteiro não se sustenta. Ela é utópica e, se fosse realizável, seria indesejável. Isso porque o idioma português, diferentemente de outros idiomas, se caracteriza pela extrema receptividade em relação a neologismos. No castelhano, por exemplo, a utilização de uma palavra não existente no dicionário da Real Academia de Madri é considerada erro, de acordo com a norma culta vigente na Espanha e em todos os países da Hispano-América. Já no português, a facilidade com que se criam palavras novas constitui uma das riquezas do nosso idioma. No século XVIII, quando foi publicada na Espanha a primeira versão do dicionário da Real Academia de Madri, o rei de Portugal encarregou a Real Academia de Lisboa de fazer um dicionário português, para não ficarem nossos patrícios atrás dos vizinhos espanhóis. Os filólogos portugueses penaram durante muitos anos e, afinal, publicaram apenas o primeiro volume do dicionário, referente à letra A, desistindo do empreendimento porque, quando concluíram a redação, deram-se conta de que já haviam surgido muitas palavras novas iniciadas coma letra A, durante os muitos anos de seu intenso labor.
Esse fato cômico serviu a Alexandre Herculano para, em “Lendas e Narrativas”, referir-se a certo jumento que se pôs a azurrar, dizendo que ele “começou por onde, às vezes, academias acabam”. Aludia assim ao último verbete do dicionário inacabado, que era AZURRAR, sinônimo de zurrar..."
O diretor do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Armando Alexandre dos Santos, criticando a recente reforma ortográfica. De minha parte, fui inicialmente favorável às alterações feitas em nossa língua. Hoje, entretanto, tendo a pensar o contrário.

>> Modern Love; Marie Mazziotti; This Time from the Heart
>> Mercosul: Estudos em Homenagem a Fernando H. Cardoso; Maristela Basso (org.); Ed. Atlas

Thursday, January 15, 2009

Em Terra de Battisti

Pensei em escrever alguma coisa sobre a deliberação do Ministro da Justiça acerca do controverso Cesare Battisti. Para tanto, baixei e li a íntegra do texto exarado pelo nobre Dr. Tarso Genro.

Após a leitura do trabalho, desisti de redigir qualquer coisa. Malgrado não haver definição precisa sobre terrorismo, é sofrível a tortuosidade do raciocínio empregado na decisão.

Apenas para citar um exemplo, o jurista Dalmo Dalari - que sustenta a base jurídica do texto - mencionou o seguinte: "Ainda que, por hipótese, se admita como verdadeira a acusação da prática de homicídio, a motivação básica, que levou à sua perseguição e prisão, era política, ficando claramente configurado um crime político". Ao utilizar-se das palavras "ainda; hipótese; se; admita; e verdadeira", o jurista criou um silogismo assustador: simplesmente questiona a decisão da justiça italiana, que condenara o sujeito a partir de um fato e não de uma hipótese. Além do mais, a tal da "motivação básica" da prisão foi o assassinato e não um crime político.

Considerada correta tal tese, seria lícito matar por uma idéia. Por certo, os grandes que já ocuparam a cadeira do Ministério da Justiça - Oswaldo Aranha, Leitão da Cunha e Vicente Rao, apenas para citar alguns - devem estar a se remexer nos túmulos.

>> Don't Touch My Tomatoes; Josephine Baker; Divas
>> Revista Piauí - 28

** Atualização: no blog do Mino Carta e no Observatório da Imprensa acontece um pseudo debate sobre o assunto. Vale a leitura.

Monday, December 29, 2008

Avoid!

Gomorra é uma bela porcaria, típico exemplo de produto "custom made". No sentido europeu da coisa: tudo é uma sucessão de takes longos, cortes abruptos, silêncios e muito sono. Ao contrário do que diz a publicidade oficial, a película é um Fernando Meirelles atrasado seis anos - e com sotaque napolitano.

Provavelmente, seus amigos "desligados" vão achar a produção sensacional. Desacretide-os: evite o filme e o livro.

>> 21st Century Life; Sam Sparro; OiFM (Stream)
>> As Cortes Constitucionais; Louis Favereu; Landy Editora

Saturday, December 27, 2008

Ai de ti, Copacabana


Surfando pela rede, encontrei essa foto de uma casa na Rua Saint Roman, em Copacabana, tirada em 1938. Anterior à degradação carioca, a foto seria impossível nos dias atuais. Explico-me.

A Saint Roman conecta os bairros de Copacabana e Ipanema, subindo pela Sá Ferreira. O endereço teria tudo para se manter aprazível, mas a realidade é diferente. A rua Saint Roman tornou-se a subida para o Morro do Cantagalo, na parte de Copa, e para o morro do Pavão, no lado ipanemense – onde uma imensa favela tomou conta dos dois morros.

A família da foto morava no numero 52. Informações imprecisas dão conta de que esta casa – e mais duas ou três – foram doadas a uma instituição de caridade da região. O motivo seria obter abatimento no Imposto de Renda e, assim, tentar auferir alguma vantagem em relação aos imóveis degradados. Curiosamente, são casas imensas, ultra confortáveis. Uma delas, inclusive, ostenta uma imponente lareira na sala de visitas que, por sua vez, é toda revestida com mármore importado.

Por óbvio, as casas perderam todo o valor e, hoje, seus proprietários simplesmente não conseguem sequer vendê-las. O mais incrível de tudo é que os casarões continuam por lá, imponentes e depreciados em meio ao fuzuê de vans, camelôs, lixo e a violência do tráfico carioca. Constantemente, ocorre falta de luz devido aos gatos elétricos e também por causa dos tiros dados nos transformadores a fim de os traficantes fugirem da polícia. Nas janelas e paredes dos casarões, as marcas de balas atestam a triste realidade de uma cidade abandonada.

>> Don't Let Go; Pacha Massive; OiFM (Stream)
>> Gomorra; Roberto Saviano; Bertrand Brasil

Friday, December 26, 2008

Awesoments


A incrível tabela periódica dos "impressionamentos". Exceto por um ou outro detalhe, tendo a concordar com as opções.

>> Coming Home Baby; Michael Bublé; OiFM (stream)
>> Gomorra; Roberto Saviano; Bertrand Brasil

Wednesday, December 24, 2008

2009



A meteorologia informa que, para os próximos sete dias, deve chover como sói. Deve chover nas viradas dos dias 24 e 31. Deve chover a semana toda. Chuvosos os feriados e a última semana do ano, portanto.

Uma chuva insistente e constante, dona de um bom cheiro de terra molhada. Sobre o assunto, Nicolás Barres, piloto de Villegagnon, escreveu na década de 1550, acerca do Brasil: “por aqui, chove no fim da tarde, mas no resto do dia faz o melhor tempo do mundo”. Apesar da chuva, os bons dias do verão brasileiro são um espetáculo impagável.

Aliados ao clima do final de ano, enchem de bom humor e de esperança. Dado ser o fim do ano, os dias tornam-se melhores – mesmo com chuva. Por algum motivo que me escapa, fico sempre de bom humor nessas épocas.

Hoje - véspera do Natal – nossa família deve celebrar com uma bela ceia. Cá em BSB, já que não viajamos, haverá luzes em nossa árvore. Não à toa, a data marca o (re)nascimento de muitas coisas e o Natal é uma festa nossa. Comemoramos, na verdade, nossas próprias alegrias e reflexões.

Desse modo, aprochegue-se dos seus e festeje. Que a vida seja boa e generosa com todos nós ao longo do ano; e que as tristezas inevitáveis sejam amenizadas por grandes alegrias e pequenas delicadezas. Que "Saúde!" seja mais do que um brinde, e que as contas fechem no fim do mês - não custa imaginar o sonho do dinheiro de sobra.

Para além da crise deste final de ano, há coisas a celebrar. Apesar de tudo, o Natal de 2008 não é muito diverso do primeiro Natal: no ano zero, vivia-se, também, uma crise de graves proporções – tão grande a ponto de o Rei mandar matar os pequeninos. Ainda assim, com toda a dificuldade, houve Natal. Portanto, celebremos a nossa existência. O mais importante é saber quão boa é a sensação de recomeçar.

Feliz Natal e Bom Ano Novo aos prezados. Que o ano nos seja doce e que tenhamos nossos nomes reescritos no livro da vida.

>>Warning Sign; Coldplay; A Rush of Blood to the Head
>> Brasil - A História Contada por Quem Viu; Jorge Caldeira (org.); Mameluco

Sunday, December 14, 2008

Os Outros: AI-5

"(DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL)
(À COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA)
Senhor Presidente:

Dando cumprimento ao despacho proferido pelo Sr. Ministro Relator nos autos da representação nº 786, do Sr. Procurador da República, venho solicitar, por intermédio de V. Exa., o pronunciamento dessa Câmara sobre se concede licença para que o Deputado Márcio Moreira Alves responda ao processo de que tratam os artigo 151 da Constituição e seu parágrafo único."
O Supremo Tribunal Federal solicita à Câmara dos Deputados licença para processar o deputado Marcio Moreira Alves, em 1968. Recrudescia a ditadura.

>> Strange Overtones; David Byrne & Brian Eno; Everything That Happens Will Happen Today
>> O Segundo Mundo; Parag Khanna; Intrínseca

Tuesday, December 09, 2008

Consolidare

Um curso de pós-graduação em Processo Legislativo tem me feito pensar bastante sobre as leis pátrias. Uma das idéias que mais me despertou interesse foi a consolidação legislativa brasileira. Aparentemente simples, o processo não é dos mais fáceis de digerir.

A Constituição de 1988, ao tratar sobre o processo legislativo, determinou a edição de uma lei complementar que dispusesse sobre “a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis”. A fim de cumprir tal determinação, o Congresso Nacional aprovou a Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998, ditando as normas gerais e estabelecendo padrões para alcançar o objetivo proposto no Texto Magno.

A partir da entrada em vigor da Lei Complementar citada, desencadeou-se um processo objetivando a consolidação das leis brasileiras. Inicialmente, colaborou para tal fim a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República e dos Ministérios. Em momento posterior, o Congresso Nacional passou também a atuar nessa mesma tarefa. Para tanto, foi instituído, por exemplo, o Grupo de Trabalho de Consolidação das Leis (GTCL) na Câmara dos Deputados.

De forma genérica, o GTCL busca consolidar normas com objetivos idênticos, análogos ou conexos, a fim de eliminar eventuais divergências ou repetições, e, desse modo, conferir unidade e coerência ao corpo legislativo brasileiro. Aparentemente simples, o trabalho detém relevante importância para o país.

Ao contrário do que pensa o senso comum, a legislação pátria é de enorme importância para o desenvolvimento nacional. Nesse sentido, quanto mais inacessíveis forem as leis nacionais, maior será a dificuldade de entendimento legal/institucional no Brasil. Portanto, o objetivo precípuo do trabalho de consolidação é exatamente modernizar o conjunto das leis nacionais e, assim, possibilitar uma uniformidade ainda não alcançada pela tessitura social brasileira. País moderno e em desenvolvimento, o Brasil não deve estar submetido a uma quantidade exagerada de leis.

Sobre esse tema, dados os muitos vícios decorrentes da grande quantidade de leis, algumas merecem especial destaque. Por exemplo, oriunda do regime militar, a lei 4.494, de 1964, reguladora da locação de prédios urbanos, trazia uma norma de interesse no mínimo excêntrico. Hoje revogada, a Lei dispunha, em seu artigo 38, o seguinte texto:

“Art. 38 – O fator K, referido no art. 25 é expresso pela fórmula:
K = _____C_____
120 – D
cujos termos C e D foram definidos no mesmo art. 25”

Exemplo ainda mais desconfortante, na seção I do Diário Oficial de sexta-feira, 29 de janeiro de 1999, pode-se ler o texto da Lei nº 9.783, datada da véspera, que “dispõe sobre a contribuição para o custeio da Previdência Social dos servidores públicos ativos e inativos e dos pensionistas dos três Poderes da União e dá outras providências”. O art. 1º fixa essa contribuição em 11% e o art. 6º prescreve: “As contribuições previstas nesta lei serão exigidas a partir de 1º de maio de 1999 e, até tal data, fica mantida a contribuição de que trata a Lei nº 9.630, de 23 de abril de 1998”. E, a seguir, dispõe o art. 8o: “Revoga-se a Lei nº 9.630, de 23 de abril de 1998”. Conforme o texto, estabelece-se um desafio: cobrar uma contribuição que deixou de existir .

Em decorrência desses tipos de equívoco, surgiu a Lei Complementar 95/98 e, por conseqüência, a idéia da consolidação das leis. Conforme afirmado acima, tanto a Lei Complementar como o GTCL intentam erradicar as imprecisões e impedir o surgimento de novos erros.

Vale ressaltar, porém, que tais problemas não são especificamente brasileiros . A fim de corrigir a desordem jurídica em face da fragmentação do sistema legal, a experiência estrangeira tem contribuído na propositura de muitas fórmulas de reorganização e saneamento do corpo legislativo. Grosso modo, códigos e consolidações são os modelos básicos de arrumação.

O modelo da Inglaterra é particularmente interessante neste caso. País cujo direito é parcamente codificado, a Grã-Bretanha possui um dos mais bem acabados modelos de consolidação legislativa. A inglesa consolidation constitui fórmula de eliminar a pluralidade de textos legais, antigos e mal coordenados entre si, substituindo-os por um único texto sem, porém, introduzir alterações substanciais na legislação. Pode-se, por exemplo, alterar enunciados ou corrigir antinomias - sempre que o significado não se altere.

Por meio dessa experiência do direito comparado, em termos de técnica legislativa, nossa prática em consolidação legal ganhou grande importância. Especialmente quando considerado que a demanda contemporânea não mais perpassa pela grande quantidade de leis, mas sim pela produção de melhores leis.

Embora esse pareça ser um objetivo simples, a produção de boas leis é um dos maiores obstáculos à inclusão de um país na modernidade. Dessa forma, decorre daí a extrema relevância do trabalho de consolidação legislativa: reunir, racionalizar, modernizar e tornar acessível o conjunto de atos que conformam o ordenamento jurídico pátrio.

Acima de tudo, o Poder Legislativo deve buscar a simplificação da vida cotidiana. Por isso, como advertiu o jornalista Prudente de Moraes Neto, o Legislativo não pode “recomendar-se pelo número de projetos que elabore ou pela rapidez com que os produza” . Ao contrário, “às vezes, a maior virtude de um parlamento está precisamente no número de projetos que elimina ou que depura, que corrige ou que substituiu”. De tal recomendação, também emanam as atuação e necessidade da consolidação legislativa.

>> Colony; Joy Division; Closer
>> Deogratias; J. P. Stassen; First Second

Saturday, December 06, 2008

In Perpetuum

Indesculpável o esquecimento, fica o registro: ontem, em 5 de dezembro de 1891, morria o monarca Pedro II. No exílio parisiense, o Imperador faleceu sem nunca dizer uma palavra contra o Brasil.

>> Let's Impeach the President; Neil Young; Living With War
>> Deu no New York Times; Larry Roth; Objetiva

Monday, December 01, 2008

Capitulina

Você já deve ter lido as notícias, mas vou comentar mesmo assim. Ao que parece, a Globo está produzindo uma adaptação pós-moderna e ultra-caprichada do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Segundo o falatório geral, a série será uma mistura de Hoje é Dia de Maria com Marie Antoinette, de Sofia Copolla. Ou seja, visual arrojado, com linguagem de teatro e trilha sonora contemporânea. Imperdível, portanto.

Logo abaixo, segue um teaser liberado pelos produtores do seriado. Para quem gosta do velho Machadão, parece ser um prato cheio.

Capitu teaser na íntegra high quality


>> Martha; Tom Waits; The Asylum Years
>> Deu no New York Times; Larry Rohter; Objetiva

Tuesday, November 18, 2008

???

Algo de realmente estranho acontecerá caso Barack Obama nomeie Hillary Clinton para a Secretaria de Estado: o Presidente eleito viverá o contra-sensso de ter ganho a eleição, mas perdido a presidência. Seria, literalmente, um tiro no pé.

>> Mysterious Ways; U2; The Best & The B-Sides Of 1990
>> Black Swan

Wednesday, November 12, 2008

Hora do Almoço


Esta semana, no site da Stratfor, os prezados analistas fazem uma afirmação interessante: chegou a hora de semear a safra no hemisfério sul... e o dinheiro sumiu. Ou seja, para “apimentar” os já terríveis cenários, há grande probabilidade de faltar comida no futuro próximo: a semeadura de novas safras é particularmente intensiva em capital e requer aos fazendeiros que obtenham grandes financiamentos para adquirir, por exemplo, fertilizantes e sementes. Sem dinheiro, não há plantação.

Além disso, o preço dos grãos permanece baixo neste mês, pressionado, sobretudo, pela crise global e pelos sinais de recessão que já começam a abater a demanda. O contexto piora quando se lembra que os baixos preços só não caem mais por causa de movimentos especulativos de compra e venda das commodities – atividade que não deve perdurar por muito tempo. Malgrado os preços ainda estejam acima daqueles praticados em 2006, deve-se considerar que, a se manter a queda, muitos fazendeiros serão seriamente prejudicados.

Para além de todos os problemas, os preços baixos são apenas um dos elementos negativos. Com os altos custos dos insumos, muitos fazendeiros estão vendo seus lucros –normalmente baixos – desaparecerem inteiramente. Nesse quadro, os fertilizantes são a maior dúvida: apesar da redução no preço do petróleo e seus derivados – e de haver previsão de queda no preço dos fertilizantes em 2009 – a cotação dos adubos ainda não caiu como se esperava. E, como dito anteriormente, a hora de plantar é agora, não no ano que vem.

O assunto fica ainda pior ao final do ciclo: sem conseguir plantar, os fazendeiros não terão o que colher; perdida a colheita, não há o que vender; sem a venda, o mundo fica privado de comida e os bancos perdem os empréstimos feitos aos fazendeiros. Chega-se, assim, a um dos paradoxos chestertonianos: não há dinheiro agora porque não haverá o que receber no ano que vem; não haverá o que receber em 2009 porque não há dinheiro agora. Bem-vindo ao século XXI.

Assim como tudo referente ao campo, a necessidade de crédito segue um ciclo sazonal. Tal ciclo torna-se um problema conforme o aperto creditício encontra a estação de semeadura no sul do planeta: sementes, fertilizantes, pesticidas, máquinas, tudo custa muito dinheiro.

Aqui no Brasil já são sentidos alguns sérios problemas em relação ao crédito agrícola, especialmente pelo fato de os empréstimos estarem encolhendo para o setor rural. Reduções financeiras levaram à queda nas vendas de fertilizantes e equipamentos. Em recente debate que assisti na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, industriais do setor de adubos afirmaram que a produção no campo, como um todo, deve sofrer intensa redução em 2009

Sobretudo, os danos sofridos pelos fazendeiros não devem parar por aí. Se as tendências forem mantidas, conforme falei acima, a estação de 2008/2009 pode ser marcada por reduções expressivas nas safras – um fator que contribuiria sobremaneira para a mais assustadora das previsões: uma nova rodada de aumento nos preços de alimentos, inserida no contexto de provável, e dura, recessão planetária.

Por certo, os governos têm seus estoques reguladores a fim de manter alguma paridade. Entretanto, por maiores que sejam tais armazéns, há limites temporais e espaciais para a manutenção de alimentos estocados. Ademais, a vida moderna pressiona em demasia o conjunto de fatores: hoje, urbanos que somos, praticamente não temos mais aquele tio da roça que traz leite, ovos, alguns legumes e carne toda semana. Compramos comida no Carrefour e pronto. Em um ambiente recessivo, sem emprego e sem comida... sabe-se lá como ficaríamos.

>> All I Need; Radiohead; In Rainbows
>> Zen And The Art Of Motorcycle Maintenance; Robert M. Pirsig; Library of Congress

Tuesday, November 11, 2008

There's No One As Irish As Barack Obama



>> All Over; Paula Toller; Só Nós
>> Zen And The Art Of Motorcycle Maintenance; Robert M. Pirsig; Library of Congress

Wednesday, November 05, 2008

Hail, Hail, Obama

Augusto dos Anjos - Vandalismo

"Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!"
>> Tom Sawer; Rush; Exit... Stage Left
>> The Black Swan; Nassim Nicholas Taleb; Penguin

Monday, November 03, 2008

+ Shakespeare

"Life's but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more: it is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing."
William Shakespeare: Macbeth, Ato 5, cena 5.

>> Ilusión; Julieta Venegas & Marisa Monte; MTV Unplugged: Julieta Venegas (Live)
>> The Black Swan; Nassim Nicholas Taleb; Penguin

Friday, October 31, 2008

Gonzo Kitchen: Filé Pistache

Em um domingo modorrento, vá para as panelas e tente. Vale o esforço.

Ingredientes:
- Um belo punhado de pistaches
- Azeite (ou manteiga)
- Orégano
- Tomilho
- Bife (ou medalhão) de filé. Eu prefiro o medalhão, não muito grosso e um pouco mais alto do que o comum.
- Vinho tinto seco
- Arroz arbóreo (de risoto)
- Caldo de carne (daquele de cubos)
- Queijo Brie
- Funghi
- Alho (ou Arisco)

A crosta: descasque os pistaches (a qualidade dos grãos é fundamental), jogando-os em uma caneca grossa. Sove-os com um pilão de caipirinha até reduzir à tocos bem pequenos. Misture um tanto de orégano e tomilho. Uma colher de chá (bem cheia) de azeite. Misture bem.

O tempero do bife: temperei com Arisco (do potinho) e pimenta calabresa. Despeje um dedo de vinho tinto em um prato fundo e deixe a carne descansar enquanto você prepara o risoto.

Risoto negro: aqueça água. Dissolva o funghi na água fervente. Separe. Você vai fazer o arroz na água do funghi, adicionando os pedaços ao final do preparo do arroz. Sugiro alho picado, pimenta calabresa, vinho e azeite. Mexa até que o arroz absorva tudo. Ao final, se quiser uma liga a mais, adicione um pouco do Brie.

O bife: frite-o. Após frito, ponha sobre uma tábua e coloque uns 2mm ou 3mm da crosta. Volte-os para frigideira quente, deixe uns instantes e pronto (cuidado a crosta queima fácil)

Ponha tudo num prato e assovie “La Vie en Rose”.

>> Carolina On My Mind; James Taylor; The Bridge School Collection, Vol. 1 (Live)
>> Teoría General del Estado; R. Carré de Malberg; Fondo de Cultura Económica - México

Monday, October 27, 2008

Gardel

Conforme escrevi aqui, alguns posts atrás, a Argentina começou a tomar suas medidas em relação ao impacto da crise econômica no cone sul. Nas palavras do ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, foi deflagrada uma forte operação protecionista em Buenos Aires, naturalmente dirigida contra o Brasil. Infelizmente, não é boa a sensação de estar certo.

>> Lips Like Sugar; Echo & The Bunnymen; Echo & The Bunnymen
>> Teoría General del Estado; R. Carré de Malberg; Fondo de Cultura Económica - México

Friday, October 24, 2008

Os Outros: William Shakespeare

"This day is called the feast of Crispian:
He that outlives this day, and comes safe home,
Will stand a tip-toe when the day is named,
And rouse him at the name of Crispian.
He that shall live this day, and see old age,
Will yearly on the vigil feast his neighbours,
And say 'To-morrow is Saint Crispian:'
Then will he strip his sleeve and show his scars.
And say 'These wounds I had on Crispin's day.'
Old men forget: yet all shall be forgot,
But he'll remember with advantages
What feats he did that day: then shall our names.
Familiar in his mouth as household words
Harry the king, Bedford and Exeter,
Warwick and Talbot, Salisbury and Gloucester,
Be in their flowing cups freshly remember'd.
This story shall the good man teach his son;
And Crispin Crispian shall ne'er go by,
From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remember'd;
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne'er so vile,
This day shall gentle his condition:
And gentlemen in England now a-bed
Shall think themselves accursed they were not here,
And hold their manhoods cheap whiles any speaks
That fought with us upon Saint Crispin's day"
Henrique V, de William Shakespeare. Supostamente escrito em 1599, narra os eventos imediatamente anteriores e posteriores à Batalha de Agrincourt, na Guerra dos Cem Anos. Dispensa comentários.

>> April Skies; The Jesus and Mary Chain; Singles
>> Teoría General del Estado; R. Carré de Malberg; Fondo de Cultura Económica - México

Saturday, October 18, 2008

Stand By Me


Desde o começo da crise financeira, os investidores têm abandonado os mercados do Terceiro Mundo e procurado guarida no pretenso porto seguro representado pelos EUA. No caso do Brasil – que abriga o mais dinâmico centro financeiro da América sulina -, esse efeito tem causado graves conseqüências: a rápida desvalorização do Real frente ao Dólar é um dos exemplos.

Apesar de o verdadeiro impacto na economia brasileira ser ainda difícil de mensurar, analistas têm afirmado que o tamanho do buraco pode chegar a cerca de 28 bilhões de dólares. Em sua maior parte, esse numero deve-se a investidores que apostaram no Real e estão sangrando com a alta da moeda norte-americana. No médio prazo, o Brasil pode até se recuperar do problema, dadas as reservas petrolíferas recentemente descobertas e a grande diversificação da economia. O impacto regional dessa queda, no entanto, pode não desaparecer tão cedo – o que é de suma importância para a Argentina, um grande parceiro do Brasil.

Atualmente, a Argentina está atada a um taxa em torno de 3,2 Pesos argentinos para cada dólar. Assim, quanto maior a queda do Real frente à moeda estadunidense, maior a desvalorização de nossa moeda frente ao Peso. Embora essa mecânica seja positiva aos importadores argentinos, é grande o desastre junto aos importantes setores exportadores portenhos: o Brasil é responsável por 24% das exportações argentinas, e esses números representam algo perto de 13% do orçamento governamental.

Com o inesperado impacto do Peso em relação ao Real, nosso país terá de pagar muito mais pelas mesmas importações, praticamente inviabilizando o comércio Brasília-Buenos Aires. No outro lado da balança, o pais portenho – que vê sua participação mundial declinar após alguns anos de breve recuperação – encontra-se mal posicionado para absorver os impactos de exportações em queda.

A agricultura, nesse cenário, é o setor mais critico, no sentido de que o declinante mercado exterior tende a não encontrar saídas que compensem eventuais perdas. Dessa forma, tanto o comércio quanto a produção agrícolas poderiam retroceder – trazendo efeitos ainda mais devastadores ao combalido mercado argentino. Em um contexto de falta de alimentos, ainda que Buenos Aires opte por importar comida brasileira, a diferença cambial tornaria tal política sem efeito. Forçando, assim, assustadoras hipóteses de ausência de alimentos, queda nos lucros e risco de potenciais crises na economia como um todo. Conforme o antigo ditado popular: onde falta pão, há confusão.

Para além de todas essas dificuldades, à economia portenha facultaria tentar redirecionar-se em busca de novos parceiros. Entretanto, alterar relações comerciais não é algo que ocorra da noite para o dia – e a redução da economia global não iria ajudar no processo. Ademais, uma mudança de tamanha envergadura na pauta de exportações implicaria ampla base creditícia, elemento que a Argentina não detêm já a algum tempo.

Poder-se-ia, ainda, tentar ajustar o câmbio em favor de uma melhor relação com o Real. Todavia, tal política parece sobremaneira fadada à destruir os números governamentais. Basta, nesse caso, lembrar dos desastrosos impactos da manutenção do Peso valorizado frente ao Dólar no final do século passado.

Portanto, o que você faria se estivesse sentado dentro da Casa Rosada nesse momento? Na velha piada política, escrever a terceira carta parece ser o conselho mais sensato: são muito limitadas as opções do governo Kirchner, ao mesmo tempo em que o apoio popular parece tender à erosão tão logo uma crise se acirre.

No exemplo do Brasil, o resultado de todo esse cenário é ainda difícil de medir: os fundamentos econômicos brasileiros, apesar de tudo, são sólidos - malgrado alguns lamentos prenunciados pela crise financeira. Buenos Aires, por outro lado, pode estar diante de uma potencial desestabilização que, a meu ver, o governo populista “kirchneriano” não terá como suportar. Lamentavelmente, nada poderia ser mais próximo de um tango de Gardel.

>> Cemeteries of London; Coldplay; Viva La Vida
>> Música ...; André Midani; ...

Monday, October 13, 2008

A César o que é de César

Prezados, seguem abaixo links para três vídeos que exemplificam porque o Brasil será um país totalmente diferente em futuro próximo. Grosso modo, a tríade dos filmetes lida com o tema das lideranças evangélicas e, em conjunto, trata de uma recente briga ocorrida no meio.

Ao final dos filmes, percebe-se que a fé é o assunto menos discutido pelas ditas “lideranças”. Se você tiver paciência, poderá perceber que os maiores interesses dos grandes grupos religiosos da nação são tempo de TV, participação partidária e dinheiro.

Sobre esse assunto, a PUC do Rio de Janeiro lançou, recentemente, um primoroso estudo chamado “Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil”. Por meio de pesquisas sociais e antropológicas, os autores do livro determinam a intensidade, os caminhos e os resultados da penetração dos grupos não-católicos numa população que, no início do século XX, declarava-se 99% católica e hoje foi reduzida para cerca de 74%. Ao contrário do que parte de nossa oligarquia política pensa, o país mudou muito. Não necessariamente para melhor.

Filme 1 - Filme 2 - Filme 3

>> Viernes 3 Am; Paralamas do Sucesso; Hey Nana
>> Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download; André Midani; Nova Fronteira

Wednesday, October 08, 2008

Ao Mar

"Não, não temos certeza se estaremos de volta às três, nem se haverá baleias e nem mesmo se voltaremos, se é que algum viajante retorna, isto aqui é o mar, ó pá, não temos certeza de nada"
Frase do capitão português que transportava a nobre Adriana Calcanhoto em recente viagem ao país lusitano. Recém lançadas, são promissoras as memórias autobiográficas da cantora.

>> Smells Like Teen Spirit; Nirvana; In Utero
>> Black Music; Arthur Dapieve; Objetiva

Atualização: você encontra um capítulo do livro aqui.

Sunday, October 05, 2008

Yes, Nós Temos Pingüins

No calor das eleições, você não deve ter percebido que nosso pais enviou um grupo de pingüins de volta para casa, tudo pago pela viúva. Isso mesmo, nos dias que correm, há um país de primeiro mundo abaixo do Equador.

A fim de provar meu argumento, segue a foto abaixo: a estética dos pesquisadores brasileiros - seus óculos e camisas - faz pensar que Venice Beach é um vilarejo Tupinambá. Bom viver por aqui: nunca antes na história desse país pingüins voaram de volta para casa às custas do governo.


O engraçado é que, ainda hoje, assistindo a uma reprise do Profissão Repórter, descobri o verdadeiro preço do serviço aéreo brasileiro. Um patrício garimpeiro – buscando voar dez minutos na selva amazônica – desembolsa algo em torno de R$ 400,00 em gramas de ouro. Pois é, dez minutos em um bisonho monomotor, sem seguro, pista de asfalto ou supervisão da ANAC custa o mesmo que planar Rio-Brasília sem escalas. E, o pior, essa situação não é exclusiva do amazonas.

Conforme muitos de vocês sabem, trabalho na Câmara dos Deputados. Por cá, cansei de ver pessoas que vêm para Brasília e não têm como voltar para casa. Em sua maior parte, esses indivíduos chegam aqui – pasmem – em busca de atendimento médico. Muitos advém das grandes capitais brasileiras e, geralmente, perambulam pelo planalto até conseguirem voltar para sua terra. Em muitos casos, os Deputados tentam ajudar e costumam contribuir do próprio bolso com a passagem dessas tristes almas. Infelizmente, o resultado é quase sempre inútil frente ao número dos que continuam chegando.

Ao mesmo tempo, o governo de pindorama remete uma trupe de pingüins – via primeira classe e com direito a superalimentação - de volta para casa. Não à toa, os prezados do Gizmodo sugerem a venda dessa inusitada aventura aos estúdios de Hollywood. Talvez, daqui a alguns anos, tenhamos um exemplar de Carmem Miranda a imitar o simpático Happy Feet. Nunca antes na história desse pais...

>> Pretty Persuasion; R.E.M.; Reckoning
>> Black Music; Arthur Dapieve; Objetiva

Saturday, October 04, 2008

Cassandras


Pois é, passou a semana e o mundo não acabou. Apesar de todas as previsões catastróficas e da torcida velada de muitos anti-americanos, os nobres Estados Unidos da America do Norte ainda não sucumbiram frente ao que se poderia chamar de “autofagia financeira”.

Obviamente, a indústria de crédito está com grandes problemas em todo o mundo. Entretanto, o capitalismo possui a estranha característica de resolver seus problemas por meio da aniquilação dos ineficientes: “destruição criativa”, “seleção natural”, “a mão invisível”, diriam uns e outros. Qualquer que seja o mecanismo, a mudança é sempre dolorosa, principalmente para aqueles que estão no olho do furacão. Nesse sentido, é interesse notar a maneira insensata/ingênua pela qual instituições ilibadas como a Merrill Lynch deixaram-se levar. Talvez por isso, ao final do processo, algo novo irá tomar o lugar de tais empresas.

De qualquer forma, o terremoto será grande. Muito dinheiro é perdido quando esse tipo de atividade ocorre, por exemplo, em setores como a indústria da computação: vidas são arruinadas e ex-bilionários passam a procurar emprego como digitadores, apenas para dizer o mínimo. Quando, no entanto, acontece o mesmo no setor financeiro, as preocupações são maiores e largamente conhecidas. Hoje, como todos sabem, o medo é que a crise creditícia se espalhe para a vida real.

Do meu ponto de vista, o mais relevante é saber se essas rachaduras irão desestabilizar as estruturas fundamentais dos Estados Unidos. Creio, sinceramente, que a resposta é negativa. Embora com algumas alterações aqui e ali, as coisas acima do Rio Grande devem manter-se pouco modificadas. De certa forma, o inicial veto da Câmara ilustra o que escrevo: apesar do tremendo atasqueiro, as nobres senhoras e senhores Deputados preferiram manter-se atadas a seus princípios, ao invés de chancelar - sem debate - um plano mais do que suspeito.

As cassandras poderão dizer: mané, os gringos estão mais do que lascados, basta olhar os números do desemprego, por exemplo. É verdade, diria eu, os dados são realmente altos. Todavia, apesar de o desemprego ter subido, os valores estão ainda muito distantes dos dramáticos números vistos no final da década de 70 e nos anos 80.

Por certo, a indústria financeira está com um enorme problema. Porém, o sistema financeiro – como um todo – não vive as mesmas dores que experimenta, por exemplo, um ex-empregado do Lehman. A meu ver, até agora, a crise é mais especulativa do que real. A conclusão é óbvia: muitas empresas de crédito estão com problema, mas o sistema propriamente dito está em dificuldade muito menor quando comparado com tais empresas. De minha parte, a luz vermelha acenderia caso o Sr. Paulson estivesse dizendo: acabou o brioche! Felizmente, não chegamos a tanto: há dinheiro da boa e velha viúva para sustentar alguns filhos malcriados.

As recessões e quebradeiras anteriores vieram e foram embora – e a vida seguiu seu curso. Malgrado as terríveis manchetes nos jornais, não há motivo para pensar que dessa vez será diferente. Pode-se odiar ser um empregado de alguma empresa em dificuldade atualmente, mas já enfrentamos coisas muito piores e perseveramos.

Era terrível ser um fabricante de mainframes em 1980, horrível possuir uma empresa de internet em 1999 e assustador estar na “rua da parede” hoje. Entretanto, tudo isso não é o mesmo que atestar o colapso da civilização como a conhecemos.

>> Wonder; Embrace; Radio Edit
>> Disgrace; J. M. Coetzee; Penguin

Thursday, October 02, 2008

Julius Augustus Caesar


A Economist montou uma página por meio da qual é possível votar no candidato a Presidente dos Estados Unidos. Na paródia, a votação é global e, por hora, vence o candidato Democrata - de lavada, diga-se. Conforme os números do site, McCain ganha apenas na Macedônia (sic).

Você mesmo, inclusive, pode deixar seu simpático votinho. Portanto, vá lá e vote. Afinal, sabe como é: quatro anos é muito tempo.

>> London Calling; The Clash; London Calling
>> Disgrace; J. M. Coetzee; Penguin

Tuesday, September 30, 2008

Fed For Sale

.dededddsdas

Aparentemente, mantidas as condições de temperatura e pressão, daqui a pouco alguém terá que bail out o Banco Central Americano. De modo inusitado, a instituição aparenta estar se tornando... ilíquida.

Portanto, segurem suas apostas senhores: ainda estamos na terça-feira. E o Presidente Bush vai falar daqui a pouco.

>> A Horse With No Name; America; Single
>> RICD; CD; CD

Monday, September 29, 2008

Os Outros: Drummond

"Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."

Ao que parece, o Congresso dos EUA disse para Wall Street: drop dead. Ainda é impossível medir extamente os desdobramentos dos eventos recentes. Entretanto, é possível que algo no mundo como o conhecemos deve ter deixado de existir na tarde de hoje.

Fico cá, com meus botões, pensando: e se Bin Laden e seus valorosos amigos resolvessem que é hora de outro ataque terrorista, aos moldes do 11/09? Dinamitar Manhattan, talvez...

>> When All's Well; Everything But The Girl; Best of ebtg
>> A Constituição Norte-Americana; Goldwin & Schambra; Forense Universitária

Sunday, September 28, 2008

XM25

.

Faz pouco tempo, li na internet que o exército americano desenvolveu um novo lançador de granadas cujos explosivos disparam somente quando estão sobre o alvo. Por meio de um sofisticado sistema de controle sem fio, cada “bala” pode ser programada para explodir no momento cuja destruição seja mais eficaz. Desse modo, conforme atesta o fabricante da arma, os soldados poderiam abater inimigos através – ou em volta - de obstáculos.

Conforme o esquema abaixo, o sistema de disparo utiliza-se de scanner termal, mira laser, mira convencional, luz infra-vermelha e – ao que parece – um compasso. Tudo isso para medir exatamente a distância do alvo e, por meio de uma conexão sem fio, programar cada uma das granadas a fim de que explodam perto do objetivo.


Na opinião do exército, tal dispositivo infligiria máximo poder de destruição e mínimo risco colateral. Assim, por exemplo, se houver um atirador escondido em uma trincheira, o soldado pode programar as granadas para que explodam exatamente sobre o sniper.

Ao custo de vinte e cinco mil dólares por arma, mais $25 por cada granada “wi-fi”, o dispositivo despertou uma dúvida na minha cabeça: algo deve estar profundamente equivocado com um exército que arquiteta armas aos moldes das usadas por Tom “Magnun” Selleck naquele horroroso filme “Runaway”. Na película, o personagem de Selleck vivia atrás de umas arminhas que disparavam balas em função da análise de temperatura do alvo, atingindo somente esta pessoa específica.

Fico pensando, os generais americanos não devem ter aprendido nada sobre a guerra moderna. Até o soldado mais fedorento sabe que uma arma não confiável é a melhor passagem de volta para casa – o tag no pé e o caixão incluídos. Todo engenheiro, por sua vez, sabe que tanto mais complicado o design, maior as chances de falha do mecanismo, especialmente em novos produtos.

Não pode dar certo, portanto, uma arma que depende de tantos e tão sofisticados apetrechos - principalmente se considerarmos que estes irão funcionar em zonas altamente instáveis como áreas de conflito. Surge a piada, então: o US Army gasta $25.000,00 por cada arma e um maltrapilho terrorista afegão, munido de um simplório walkie talk Motorola, consegue fazer com que as tais granadas explodam sobre a cabeça dos próprios americanos.

>> Wake Up This Morning; A3; Sopranos Soundtrack
>> Disgrace; J. M. Coetzee; Penguin

Thursday, September 25, 2008

Paulson

.

Jessica Hagy, no Indexed.

>> Ciranda Praieira; Lenine; Labiata
>> Processo Constitucional de Formação das Leis; Zé Afonso; Malheiros

Saturday, September 20, 2008

Os Outros: Fernando Pessoa


"Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo…

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio."
>> Song to the Siren; This Mortal coil; It'll End in Tears
>> Direito Constitucional Esquematizado; Pedro Lenza; Saraiva

Thursday, September 18, 2008

Speedster 2

Os senhores Paulo e Gregório parecem ter retomado a ritmo diário de postagens. Ceteris paribus, algo deve ter melhorado.


>> All the Way Home; Bruce Springsteen; Devils & Dust
>> Técnica Legislativa; Kildare G. Carvalho; Del Rey

Wednesday, September 17, 2008

Speedster

Sugiro que a quantidade de posts publicados nos blogs do Greg e do Paul sirva como parâmetro para a intensidade da crise financeira. Conforme o medidor "feltrinômico", quanto maior a crise, menor a quantidade de mensagens veiculados pelo dois eminentes economistas. A coisa deve estar realmente feia por lá.

>> Rádio Câmara
>> Raciocínio Lógico; Ponto dos Concursos

Tuesday, September 16, 2008

Misunderestimated

.

George W., conforme a visão do nobre Oliver Stone. O trailer promete um daqueles filmes aos quais você assiste no cinema, compra o DVD, vê novamente na HBO, revê trechos na Tela Quente e, talvez em 2018, comente quando passar na Sessão da Tarde.

>> Beethoven: Symphony #6 In F, Op. 68, "Pastoral" - 3. Allegro; Mark Ermler; Royal Philarmonic Orchestra; Beethoven: Symphony #6, Egmont Overture
>> Aspectos do Direito Constitucional Contemporâneo; Manoel Gonçalves Ferreira Filho; Saraiva

Sunday, September 14, 2008

Yankee Go Home!

.

Subitamente, a América Latina tornou-se uma região muito interessante na política internacional. Tanto no âmbito doméstico quanto no geopolítico, temas importantes passaram a fazer parte da pauta regional.

É óbvio que os eventos atuais não são de todo novos. Todavia, o lugar comum é irresistível: em tempos de crise entre as grandes potências, assuntos locais tornam-se latentes em razão do “conflito” internacional. Dessa forma, as alterações na relação russo-estadunidense reverberaram em áreas antes esquecidas. Não poderia ser diferente na região sul-americana.

Nesse sentido, dentro do contexto de múltiplas e simultâneas mudanças ao redor do mundo, continuo acreditando que a América Latina merece especial atenção nos dias que correm. Faz muito tempo, perdemos o êxtase em termos de política internacional. Hoje, entretanto, o continente tornou-se área de fundamental importância para o planeta. Vamos por partes:

. Bolívia: o pais andino sinaliza estar próximo de uma guerra civil, com as potências regionais – particularmente o Brasil – desconfortáveis em relação aos eventos recentes. No tabuleiro boliviano, Morales parece sofre pressões com o objetivo de abafar o crescente antagonismo ao Tio Sam. Nesse imbróglio, o Brasil, infelizmente, é chamado a servir como “algodão entre cristais – uma função que não nos deveria ser própria. Os Russos, por sua vez, parecem manejar a crise em favor de criar contratempos momentâneos à Washington.

. Venezuela + Rússia: os dois países estão a aproximar-se. Apesar de as implicações militares serem triviais até agora, a chegada de um grande patrocinador energiza a megalomania do Presidente Hugo Chávez. Creio ser recomendável observar o comportamento das companhias estrangeiras na Venezuela e as opções de colaboração de longo prazo deste país.

. Colômbia: as Farcs sempre fizeram questão de manter laços com Cuba e com os Soviéticos. Os líderes revolucionários ainda vivos podem ter contatos ativos com esses dois países. Assim, creio ser sensato imaginar uma eventual colaboração vermelha aos revolucionários colombianos – talvez com o intuito de apenas “sacudir” a posição norte-americana no país do Presidente Uribe. A meu ver, tal participação russa dependerá de quanto os EUA estão dispostos a agir na região da antiga União Soviética.

. Rússia: o comportamento russo na América sulina, hoje reduzido, merece ser observado. Grosso modo, vale analisar a eventual retomada de antigas amizades com a parte irresponsável da esquerda latino-americana. Alguns setores ambiciosos podem render-se às generosidades alienígenas. Dessa forma, cumpre observar a Argentina, o Chile e o próprio Brasil – tradicionais grandes alvos nesse tipo de estratégia.

>> On A Tuesday In Amsterdam Long Ago; Counting Crows; Saturday Nights & Sunday Mornings
>> Visões do Brasil; Rubens Ricupero; Record

P.s.: foto do Josias

Thursday, September 11, 2008

September 11



>> These Days; R.E.M.; iTunes Originals
>> Do Contrato Social; Jean-Jacques Rousseau; Domínio Público

Monday, September 08, 2008

Xadrez

Conforme falei, alguns posts atrás, a Rússia começa a movimentar-se no tabuleiro.


>> Eu Não Quero Brigar; Frejat; Intimidade Entre Estranhos
>> Técnica Legislativa; Kildare Carvalho; DelRey